Esse é um blog com informações que podem ser úteis para o baterista que está começando a conhecer seu instrumento. Como baterista amador (e bota amador nisso...), sou um péssimo blogueiro. Minhas tentativas de manter um blog pessoal não deram em nada, mas sempre achei que deveria compartilhar alguma coisa. Desde 2005 eu frequento o Fórum Cifra Club , que me estimulou muito a pesquisar mais sobre assuntos relacionados ao meu hobby favorito: tocar bateria, especialmente em relação a equipamentos. Desde então venho postando tópicos aqui e ali e que acredito que possam ser úteis aos bateristas iniciantes. Esse blog é um tentativa de centralizar as informações que criei e obtive ao longo deste período. Fica aqui a esperança que este blog possa ser de utilidade pra alguém. Comentários (sem anonimato, plz !) e sugestões são bem-vindos.



15 janeiro 2010

No Doubt. E dezessete caixas !!

Em primeiro lugar, gostaria de me desculpar com os leitores deste blog pelo tempo que passei sem postar. Minha intenção, no início, era basicamente postar conteúdo original. Com o tempo, o conteúdo original que eu já possuía foi todo postado. Devido a outros compromissos, fiquei sem tempo útil para produzir mais conteúdo original, que é bastante trabalhoso de se realizar. Tenho muitas idéias na cabeça e pouco tempo pra concretizá-las. O resultado foi esse período de 3-4 meses sem postagens novas.
Concluí que seria injusto pra quem espera algo desse blog ficar sem novidades regulares, então, a partir de hoje, passarei a postar conteúdo não-original com maior frequência, mas assumo o compromisso de produzir eventualmente alguma coisa de autoria própria, reviews sobre equipamentos e novas traduções.

Por hoje, fiquem com este vídeo muito interessante, onde o batera compara 17 (dezessete !!) caixas diferente em um mesmo contexto musical. A música é "Don't Speak", do No Doubt, e o batera segue alternando as caixas ao longo da música.

Ouça com fones de ouvido ou caixas de boa qualidade pra perceber as sutilezas de timbre. Sugiro que se faça uma primeira audição sem olhar o vídeo e eleger sua caixa favorita. Depois assista o vídeo e veja se muda de idéia.



Divirtam-se.

17 outubro 2009

Bzzz ! Eliminar o zumbido de esteira ?

Muita gente se incomoda demais com o ruído provocado pela ressonância na esteira da caixa, o famoso zumbido de esteira. A rigor, não tem jeito: sempre vai haver algum grau de ressonância entre a caixa e as outras peças do kit, ou com os outros instrumentos. Então, é importante aceitar que o zumbido faz parte de sonoridade geral do seu kit. Com frequência, um zumbido meio incômodo durante o estudo acaba desaparecendo quando o baterista toca junto com a banda, ou tem sua gravação mixada com um play-along. Se ouvirem com atenção, muitas gravações mais antigas, das grande bandas dos anos 70, apresentam o zumbido, mas ninguém liga.
Mas às vezes esse ruído fica realmente excessivo e passa a incomodar.
As causas para um zumbido excessivo são várias. O mais comum é devido a problemas de afinação do kit. Para evitar excesso de zumbido, é importante que a caixa esteja em uma afinação diferente dos tontons. O ideal é que esteja dissonante em relação aos tontons. Tensão desigual nos parafusos da pele de ataque também favorece o aparecimento de harmônicos que levam ao zumbido. Esteiras velhas ou danificadas, com fios frouxos, também zumbem mais.
A pele de resposta é um capitulo à parte. Peles muito espessas zumbem menos, mas a sensibilidade da esteira também diminui drasticamente. Já li recomendações para se usar peles extremamente finas (200 micra ou menos) pois estas peles possuem menos inércia e o zumbido cessaria mais rápido. A afinação da pele de resposta também não é consenso. Em caixas com 10 parafusos de afinação, recomenda-se deixar os 4 parafusos mais proximos da esteira com menos tensão que os demais, sem enrugar a pele.
Um erro muito comum é apertar demais o parafuso do automático. De fato isso reduz o zumbido, mas também mata muito da resposta de esteira e "afoga" o som da caixa. Não é recomendável, assim como tentar abafar a pele de resposta, ou colar adesivos na esteira.
Às vezes a localização do kit é desfavorável. Se o kit é montado num canto de uma sala sem tratamento acústico, a chance de reverberação e ruido de esteira é maior. Tente montar o kit contra a parede mais larga da sala. Se o espaço permitir, monte no meio dela.
Uma solução mais radical é colocar uma barreira física entre a face inferior da caixa e os outros tambores. A sugestão (feia demais, admito) é fazer uma espécie de saia (ou cortina) com uma toalha de rosto fixada no aro de baixo, envolvendo parcialmente a estante da caixa. É o tipo de recurso que se usa em estúdio, sem ninguém pra ver, junto com os rolos de fita crepe e silver tape.
O recurso de áudio mais usado para combater o ruído de esteira é o noise gate (NG). O NG é resumidamente um processador que funciona como um portão para o som: abaixo de um determinado limiar, nenhum som passa. Quando o limiar é superado, o portão se abre e passa todo o som até o limiar baixar, fazendo o portão fechar de novo. Basta ajustar o limiar do NG para um nivel logo acima do zumbido que o problema está resolvido. Infelizmente, esse recurso exige uma microfonação exclusiva para a caixa, e se o zumbido é muito alto, o limiar precisa ser tão elevado que começa a interferir na curva sonora da caixa, atrapalhando, por exemplo, a gravação de ghost notes.
Bob Gatzen publicou dois pequenos videos onde analisa as causas do zumbido de esteira e demonstra um modo bastante original de controlá-lo. Eu traduzi estes videos para a comunidade do Orkut "Traduzindo Vídeos de Bateria" e agora os publico aqui. Para ativar as legendas, use o icone em forma de trîângulo no canto inferior direito da tela.





Se o vídeo for baixado, as legendas se perdem. Espero que estas informações sejam úteis.

28 setembro 2009

Review - Caixa Orange County Drums and Percussion



Minha caixa "titular" era uma Luthier de cedro bastante antiga e que me serviu bem nos últimos 20 anos. Mas de uns tempos pra cá, comecei a ter uma certa dificuldade pra acertar o som dela. Não sei se passei a ser mais exigente, mas comecei a implicar com o seu timbre. Aí resolvi desmontá-la, com a idéia de dar uma relixada no lado interno do casco, pra tentar cortar um pouco dos harmônicos. Durante o processo de desmontagem, verifiquei danos irreparáveis em várias canoas, mas o mais grave foi que, após todo esse tempo, descobri que o casco estava empenado. Talvez fosse possivel uma reforma geral, com troca das canoas e retifica do casco, mas bateu um desgosto: eu já investi bastante nessa caixa (já havia trocado praticamente todo o hardware: automático, aros, algumas canoas, esteira) e ainda não estava bom. Resolvi partir pra uma nova. Eu já estava juntando umas economias pra comprar uma 14"x5,5" no fim do ano, mas estava meio em dúvida em acumular mais uma caixa. Com a aposentadoria da velhinha, a dúvida deixou de existir e lá fui eu pra Teodoro Sampaio em busca de uma nova caixa 14 x 6,5". A idéia inicial era comprar uma caixa de segunda mão. Depois de pesquisar bastante as usadas, não achei nada que fosse significativamente melhor que a velha Luthier a um preço razoável.

Então, ao entrar na Casa dos Bateristas, fui apresentado a uma caixa OCDP 14" x 6,5" nova em folha. A ficha que o vendedor passou: 100% maple, acabamento laqueado, aros die-cast.... De fato, a caixa possui um acabamento muito bem feito. O preço ? R$1500,00, "mas dá pra conversar". Acima do que eu pretendia gastar. O golpe de misericórdia foi quando ele me passou um par de baquetas pra testar. O som era exatamente o que eu procurava. Depois de um pouco de negociação, levei a caixa por R$ 1300,00, à vista. Um preço razoável, comparado às outras caixas 100% maple da região (em outra loja, me pediram R$ 2500,00 em uma Pearl Dennis Chambers bastante usada, com hardware cromado). Por um valor aproximado ao da ODCP, só achei uma Pearl 14"x 5,5" free floating usada, e cujo som não me agradou de imediato.

Compra feita, resolvi examinar bem a mocinha, e pesquisar um pouco sobre a marca, que não é tão conhecida aqui no Brasil. A OCDP é uma fábrica "Custom" americana, que vários analistas comparam com a DW. Seu principal endorser é o cultuado e supervalorizado Travis Barker. O site mostra várias caixas produzidas pela fábrica e cita alguns preços, que eram muito superiores ao valor que paguei. Curioso achar uma caixa dessas à venda em uma pequena loja na Teodoro Sampaio. Estranho...


O acabamento da caixa é realmente muito bonito. O laqueamento é "natural fade", e os veios da madeira mudam de tonalidade de acordo com a incidência da luz:





O casco é laminado, com 9 folhas de madeira de tonalidade clara e veios que parecem ser maple mesmo. A espessura do casco é média (acho que 1/2"), sem anel de reforço. O lado inferior do casco possui um rebaixo bem discreto para a esteira:







Os aros são Die-Cast, para 10 parafusos, um pouco mais leves e finos que os Die-Cast Pearl ou Tama topo de linha, mas sem rebarbas ou defeitos de acabamento. As ferragens possuem um acabamento "Black Chrome" (fumê ou ônix, dá na mesma) muito brilhante e bem feito:




O automático é do tipo gaveta e é fixado ao casco por dois parafusos lado a lado, ao invés de um em cima e outro embaixo. Isso dá a impressão de menor resistência da fixação do tensor, que possui um mecanismo curioso: a alavanca de acionamento não possui um "click" de travamento. Ao invés, possui uma espécie de freio que segura a alavanca em qualquer ponto acima da metade. Por um lado isso pode ser interessante, pois permite ajustar a tensão das esteiras, ainda que grosseiramente, sem precisar mexer no parafuso de tensão. Por outro lado, esse mecanismo não dá muita segurança, e dá a impressão que o automático pode soltar se usarmos tensões mais altas na esteira:





Descobri que o mesmo modelo de automático é usado nos modelos DDrum. Isso é um bom sinal, espero.

Agora, a explicação para o preço:


Isso mesmo: a OCDP possui uma filial chinesa, da qual minha caixa é legitima representante. Pesquisando um pouco mais, descobri que a OCDP possui uma "segunda linha", assim como a PDP é a segunda linha da DW. A segunda linha da OCDP é conhecida como OCDP "X" e possui um logotipo diferente do da minha caixa. A linha "X" é bastante criticada nos fóruns americanos, mas tudo me pareceu uma patriotada anti-asiática. Essa das fotos não é americana e nem é "X", já que o logo é idêntico ao americano. O casco possui oito furos de ventilação. O uso de vários furos (ou uma grande janela) é uma característica típica das OCDP originais. Talvez essa caixa seja de uma nova linha que não chegou em terras do Tio Sam. Isso ainda é uma incógnita.

As peles originais são Remo UT coated. Essas peles são de uma subsidiária também chinesa da Remo. As UT usam o mesmo filme de Mylar das Ambassador, mas são fixadas de um modo menos eficiente à moldura de alumínio. Estas peles são utilizadas como peles originais de fábrica de diversos modelos fabricados na China, inclusive a Sonor 3007. Segundo a Remo, as UT e as Ambassador são absolutamente iguais em timbre quando novas, mas a UT seria menos durável.



Além do automático meio suspeito, a esteira de 20 fios me pareceu o ponto fraco do conjunto: possui um acabamento no máximo regular, com espirais um pouco grosseiras, fios mal soldados e clips de acabamento ruim. Até as esteiras Turbo parecem de alta qualidade se comparadas a essa. Mas achei interessante a deformação nos furos para passagem de fios. Isso permite o uso de fios ou cabos sem correr risco de afastar a esteira da pele, o que aumenta o zumbido. Os tirantes originais são de plástico transparente muito duro, o que exige muito cuidado e trabalho para posicionar a esteira corretamente e manter tensão uniforme nos fios.



Agora, o que interessa: o som. Usei um gravador digital Zoom H4 com os microfones embutidos e um limiter pra controlar a clipagem. Não fiz nenhum processamento do áudio. Não vou fazer comentários. Assistam o vídeo e tirem suas conclusões:




Pro groove, eu fiz algumas modificações na caixa original. Troquei os tirantes originais de plástico por tirantes de nylon canelado (descobri recentemente que o nome usado aqui no Brasil é "fita de gorgurão") e coloquei uma esteira Turbo reduzida para 14 fios. A pele original, usada nos rudimentos, foi substituída por uma Evans HD Dry. Não que a pele original seja ruim, mas pretendo conservá-la, pois contém o logo da OCDP, o que é importante em caso de revenda.
Billy Ward (desenvolvedor técnico da DW) afirma que caixas de boa qualidade são capazes de timbrar bem em afinações médias. Esta OCDP me pareceu soar até melhor em afinações médias que em altas. Acho que estou com um bom produto nas mãos.

Resumindo:

Gostei:
1. Excelente acabamento
2. Boa relação custo-beneficio
3. Som grave e encorpado
4. Bom timbre em uma grande amplitude de afinações
5. É de uma marca reconhecida por sua qualidade


Não gostei:
1. Automático pouco confiável (embora não tenha falhado até agora. O tempo dirá...)
2. Esteira e tirantes de má qualidade
3. Produto chinês, seja lá o que isso signifique
4. Eu não tenho certeza, mas pode ser uma falsificação...

Pra concluir, acho que esta caixa é talhada pra tocar rock pesado, com backbeats bem marcados e rolls bem definidos. Embora não seja uma caixa barata, trata-se de um modelo importado 100% maple com excelente acabamento. Acho dificil encontrar caixas com a mesma qualidade por essa faixa de preço. Eu não diria que se trata de uma caixa versátil, mas é uma excelente escolha pra quem quer começar a explorar modelos de alto nível e quer ficar no rock mais pesado.

22 setembro 2009

No Rules !!

Pra provar que não há regras no mundo da bateria, aqui estão dois vídeos de Eloy Casagrande. Pra quem ainda não o conhece, ele vem sendo apresentado como o novo fenômeno bateristico do rock pesado brasileiro. No primeiro vídeo dá pra ter uma idéia do esforço fisico que ele faz pra fazer sua performance, bastante influenciada por Aquiles Priester. Chama a atenção a nitidez de seus rolls pelo kit:





No segundo vídeo, ele fala um pouco de sua técnica e explica que adotou a pegada francesa. Como deu pra notar no vídeo a cima, o rapaz toca muito forte e muito bem, contrariando o que eu postei antes, no artigo sobre pegada. Confiram:



Mas eu aposto que se ele não mudar de técnica, logo vai arranjar um problema nos pulsos. Mas o rapaz é bem novo, ainda dá tempo de corrigir isso.

04 setembro 2009

Desculpe nossa falha

Eu postei há cerca de um mês atrás um pequeno video onde eu toquei um groove e umas viradas simples, com a intenção de mostrar como as peles Ambassador soavam em um kit mais antigão. Quando vi a gravação do video, tomei um susto: meu pulso direito estava quase totalmente rígido e a condução do ride estava sendo feita à base de movimentos do cotovelo, o que é considerado totalmente errado, com algumas ressalvas. Mas como a intenção do vídeo não era demonstrar técnica de condução, e sim a sonoridade das peles, deixei passar. Mas... no Youtube e no Orkut, alguns amigos repararam em minha mão direita "dura", que berrava em primeiro plano a minha falta de técnica.
Em minha defesa, tenho a dizer o seguinte: em raras ocasiões, é aceitável tocar com o pulso "duro". Existe uma técnica de condução conhecida como "Dead Sticking" (que pode ser traduzida para algo como "Manulação morta") que consiste em controlar os harmônicos do prato com a ponta da baqueta. Steve Gadd domina muito bem esta técnica e é muito interessante notar como ele consegue extrair timbres bastante diferentes de um mesmo ride, usando esse tipo de controle. Obviamente, meu caso não tem nada a ver com Dead Sticking. É erro mesmo. Por algum motivo, às vezes fico tenso e nervoso ao tocar, meu punho fica duro e dá no que deu. No entanto, graças ao video a às observações de meus amigos que o assistiram, passei a prestar mais atenção no movimento do punho direito. Acho que falta mesmo é relaxar enquanto toco. Fica a lição: é bom filmar-se ao tocar, ou tocar em frente a um espelho, para corrigir erros como esse, que passam despercebidos pelo proprio baterista.

Pra finalizar meu pedido de desculpas, fica aqui um pequeno vídeo que ensina um padrão de condução mais complexo e que exige mais técnica para tocar. Esse padrão e suas variações foram bastante usados por Neil Peart em faixas dos anos 80 e 90. A dica é a mesma de sempre: estude o padrão em andamento lento, com metrônomo, até sentir-se confortável. Depois passe para andamentos mais rápidos. Uma vez dominado o padrão, é só encaixar a caixa e o bumbo.

Divirta-se: