Esse é um blog com informações que podem ser úteis para o baterista que está começando a conhecer seu instrumento. Como baterista amador (e bota amador nisso...), sou um péssimo blogueiro. Minhas tentativas de manter um blog pessoal não deram em nada, mas sempre achei que deveria compartilhar alguma coisa. Desde 2005 eu frequento o Fórum Cifra Club , que me estimulou muito a pesquisar mais sobre assuntos relacionados ao meu hobby favorito: tocar bateria, especialmente em relação a equipamentos. Desde então venho postando tópicos aqui e ali e que acredito que possam ser úteis aos bateristas iniciantes. Esse blog é um tentativa de centralizar as informações que criei e obtive ao longo deste período. Fica aqui a esperança que este blog possa ser de utilidade pra alguém. Comentários (sem anonimato, plz !) e sugestões são bem-vindos.



27 agosto 2009

Pega na baqueta !


Um erro comum dos bateristas iniciantes e autodidatas é ignorar o modo correto de se segurar as baquetas. Como o ato de segurar um objeto é bastante natural, as baquetas acabam sendo seguradas como uma haste qualquer. Ao se tocar sem a empunhadura adequada, conhecida como “pegada”, o candidato a baterista acaba realizando movimentos que consomem muita energia e pode eventualmente acabar sofrendo lesões nos punhos ou nos braços devido à sobrecarga exercida sobre os músculos e articulações. Uma pegada correta é essencial para um bom desempenho ao se tocar bateria. A principio, a adoção da pegada correta pode parecer meio antinatural, mas com o treino, passa a ser automático segurar adequadamente a baqueta.
A série de vídeos de Dave Weckl que postei aqui explica com detalhes uma forma bastante pessoal de fazer a pegada, a partir de estudos de postura, e de certa forma, mais voltada para o baterista de nível intermediário/avançado. Este artigo vai procurar explicar algumas formas mais simples de segurar suas baquetas. Tenha em mente que existem modos corretos e incorretos de segurar as baquetas. Ao estudar, fique atento para não segurar as baquetas de modo incorreto. Entre os modos corretos, não existe um modo que seja melhor que outro. Cada pegada possui características próprias, e cada baterista deve escolher sua pegada favorita para estudar e tocar. Com o tempo, é aconselhável estudar com as pegadas menos confortáveis.
Com o tempo, o baterista aprende a transitar entre as diferentes pegadas, de modo a aproveitar seus respectivos pontos fortes conforme a música pede. As pegadas mais comuns são a francesa (French Grip), alemã (German Grip), americana (American Grip) e tradicional (Traditional Grip, ou “trad” para os íntimos). As pegadas francesa, alemã e americana se baseiam no conceito “pinça e mola”: a baqueta é presa em uma pinça feita entre a polpa do polegar e a lateral da falange média do dedo indicador. A “mola” é executada com a flexão dos dedos médio, anular e mínimo.







French Grip (FG):
A pegada francesa é executada com a palma da mão em um plano perpendicular ao da pele do tambor. Com as duas mãos em FG, as palmas ficam voltadas uma para outra. A FG foi desenvolvida para execução de toques rápidos e leves, preferencialmente em caixas sinfônicas, pois oferece grande controle de dinâmica. Por outro lado, é uma pegada que não permite execução com muita potência. Na FG o movimento é praticamente limitado aos dedos:


Um erro muito comum é usar a FG para executar toques de muita potência com um grande movimento do punho:

O movimento do vídeo acima pode levar a lesões articulares do punho e há risco até de ruptura de um dos nervos da mão.


German Grip (GG):
A pegada alemã é executada com a palma da mão paralela à pele. O movimento é executado mais no punho e antebraço e exige maior esforço muscular que a FG. A GG permite toques de grande potência e é indicada para, por exemplo, os toques de caixa num backbeat de rock no 2-e-4. A execução de rimshot também é bem facilitada quando se adota a GG. O mecanismo de pinça-e-mola funciona de modo menos eficaz na GG, o que pode atrapalhar a execução de rolls mais sutis.


American Grip (AG):
A pegada americana é derivada da GG, de modo a aproveitar melhor o mecanismo de pinça-e-mola. Na AG, o plano da palma da mão faz um ângulo de aproximadamente 45° com a pele do tambor, mas o trajeto da baqueta permanece perpendicular. Fisiologicamente, o maior arco de movimento do punho se faz exatamente neste posicionamento, e o mecanismo de pinça-e-mola é melhor aproveitado porque o movimento da baqueta na pinça passa a seguir o mesmo plano de movimento do punho.


Traditional Grip (TG):
A pegada tradicional foi desenvolvida para se tocar os tambores marciais que eram levados a tiracolo e tocados em pé. A posição dos tambores era inclinada para a direita e isso tornou necessário que a pesada baqueta na mão esquerda fosse segurada ao contrário, com a palma da mão voltada para cima. Com o tempo, essa pegada invertida foi sendo aprimorada até chegar à TG como a conhecemos hoje:


Embora a TG não exija um posicionamento especial da caixa, normalmente quem a adota prefere usar a caixa com o lado esquerdo 1 a 2 cm mais alto que o direito, para facilitar a execução de rimshots. A TG normalmente é utilizada somente na mão esquerda (para os destros), embora sujeitos como Billy Cobham terem chegado a adotá-la nas duas mãos. A TG é considerada uma pegada difícil e cheia de macetes, exatamente por ser relativamente antinatural, mas uma vez dominada, é provavelmente a mais versátil de todas, que permite ter desde a potência da GG até a sutileza e precisão da FG. Uma limitação da TG é em relação ao alcance de peças posicionadas à esquerda do kit (para destros), que exige uma torção acentuada do tronco para que a ponta da baqueta atinja corretamente a peça.
Cada uma destas pegadas pode ser combinada com outra. Por exemplo, pode-se usar AG na mão de condução enquanto se toca os hi-hats e usar a GG na mão oposta. Quando a mão de condução passa para o ride, pode-se passar para a FG ou para AG. Quanto melhor você dominar cada técnica, mais opções terá para explorar seu kit. No entanto, não deixe que a adoção de uma das técnicas impeça seu desenvolvimento. Por exemplo, se você tiver dificuldade em praticar um determinado rudimento com uma das pegadas, adote uma que facilite o estudo. Quando tiver dominado, estude com outra pegada, e assim por diante.
Divirta-se !

18 agosto 2009

Microfonação MUITO barata

Gosto bastante de ver bateristas amadores tocando no Youtube. Ver pessoas que gostam de tocar bateria e o fazem por hobby me dá uma boa noção de "posicionamento no ranking". Ou seja, é reconfortante saber que tem tanta gente tocando tão mau quanto eu.
Por outro lado, vez por outra me deparo com performances bem acima da média, mas que não dá pra apreciar direito porque a qualidade do áudio é tão ruim que dá vontade de parar o vídeo no meio, o que é uma pena.
Por exemplo, vejam esse:


Há uns dois anos criei um tópico no Fórum Cifra Club convidando os bateristas de lá a postarem um pouco de suas brincadeiras com o instrumento. Era uma época em que o U2B esta engatinhando e hospedagem de áudio não era algo prático. De todo modo, as desculpas que mais ouvi era que as pessoas não possuíam equipamento para gravação. Tinham PC, mas não tinham microfones de qualidade. O resultado foi que o tópico foi abandonado, sumiu nas profundezas do fórum e fiquei muito encanado com isso: seria mesmo necessário um estúdio de gravação com seus equipamentos para se gravar com um mínimo de qualidade ?
Recentemente resolvi aprender a microfonar meu kit do melhor modo possível (com um kit de microfones, mesa de som, processadores off-board, etc.), e ainda tou apanhando bastante, mas no meio de minhas pesquisas, me deparei com alguns vídeos explicando como se gravar um som razoável de bateria com um mínimo de microfonação. O primeiro vídeo usava um caríssimo microfone AKG C2000B. O segundo usava um microfone chinês barato projetado para bateria comprado no Ebay, mas nenhuma dessas soluções achei realmente prática.




Quando comecei a tocar, uma das maiores dificuldades era arranjar um microfone pro vocalista. Os microfones da época eram ou muito caros pros nossos bolsos escolares, ou geravam muita microfonia. E aí um champz descobriu que os fones de ouvido também serviam como microfone. Por possuírem diafragmas largos e circuitos sem interesse no ganho de sinal, os fones de ouvido quase não davam microfonia, embora resultassem em uma qualidade muito ruim de áudio. Mas melhor isso que tentar encobrir bateria e guitarra a seco.
Aí, juntando esses cacos de informação me veio a idéia: será que dá pra usar fones de ouvido pra obter um áudio razoável ? Essa seria uma solução de custo muito baixo, e a tecnologia disponível hoje em dia permitiria ao menos tentar melhorar as limitações desse tipo de técnica. Aí fiz a experiência: o "microfone" usado foi um velho fone de ouvido Phillips que possuía um cabo de 5 m, o que permitiu posicioná-lo e plugá-lo no notebook ao meu lado. Como a entrada de mic do notebook é estéreo, os fones foram posicionados em uma espécie de configuração "XY" para obter um mínimo de imagem. Usei uma antiga versão demo do Sonar pra gravar e processar o áudio. Confiram o resultado:


Espero que seja útil.

12 agosto 2009

2500 ?


Bem, amigos, este pequeno post é para agradecer a repercussão deste blog no meio baterístico. Acabo de ser surpreendido pelo "counter" do blog, que me informa que já houve 2522 visitas. Não é exatamente um recorde, mas é muito gratificante saber que tem bastante gente interessada pelas informações que publico aqui. Sei que recentemente estive em falta, mas em breve devo normalizar a frequência das postagens.


Mais uma vez, muito obrigado !

23 junho 2009

Comprando o primeiro kit


OK, você curte bateria, e depois de muito sacrifício, consegue uma grana pra comprar um kit. Aí chega em uma loja e não sente firmeza no vendedor. Vai em outra e acha que o vendedor está te empurrando algo que não é o que voce quer. Aí, resolve dar uma olhada nos sites de compra on-line e não acha as informações que precisa. Entra nos fóruns e comunidades e vem uma enxurrada de informação que você não tem paciência pra ler ou procurar. E agora ?
Esse post vai tentar fornecer algumas orientações pra você que está procurando seu primeiro kit de bateria. Existem algumas informações importantes que é preciso saber antes de escolher seu kit:
1. Marcas famosas não significam garantia de alta qualidade. Várias marcas estrangeiras fabricam linhas "Entry-level", ou seja, para iniciantes, e que, embora não sejam instrumentos ruins, podem custar o equivalente a produtos nacionais muito melhores em comparação.
2. Definitivamente, não vale a pena adquirir um instrumento barato e de qualidade muito ruim. A bateria é um instrumento que é submetido a um stress mecânico muito intenso, ou seja, deve ser projetada e construída pra levar baquetadas. Instrumentos de má qualidade quebram e ficam inutilizados muito rápido, e adeus investimento. Se o dinheiro que você tem não dá para comprar um instrumento razoável, o melhor é ir economizando, fazer algumas aulas, e adquirir um bom par de baquetas e um pad de estudo pra ir se desenvolvendo um pouco, até ter o dinheiro suficiente pra comprar um kit razoável.
3. Bateria, infelizmente, é um instrumento mais caro que os outros dentro de uma mesma categoria, com exceção do piano. Uma bateria para iniciantes custa mais caro que uma guitarra ou um baixo do mesmo nível. Conforme-se com isso ou escolha outro instrumento.

Com os conceitos acima em mente, faça a seguinte pergunta: que estilo eu pretendo tocar ?
A resposta vai levar à configuração mais adequada para você.
Existem configurações diferentes para estilos diferentes. Um kit completo "mínimo" deve ter uma caixa, um bumbo, um tontom, um surdo, um par de hi-hats, e um prato crash/ride ou, preferencialmente, um ride e um crash. Com essa configuração já dá pra estudar muito bem e tocar ao vivo estilos como jazz tradicional, blues, MPB, pop, funk, hip-hop, rock´n´roll, hard rock, hardcore e emo. Configurações com mais peças (tontons, surdos, segundo bumbo/pedal duplo, crashes adicionais e pratos de efeito) são mais recomendáveis para estilos derivados do metal (heavy, melodico, death, etc.), progressivo, axé, ritmos latinos e fusion. Kits para Rock em geral possuem tambores maiores e com maior profundidade. Uma configuração muito comum e adequada para este estilo é composta de caixa 14"x6,5", tontons de 12"x9" e 13"x10", surdo de chão de 16"x16" e bumbo de 22"x16" ou 18". Os kits mais modernos tendem a possuir tambores de dimensões um pouco menores, o que oferece maior versatilidade para estilos diferentes do rock. A escolha da configuração é muito pessoal e pode inclusive ir se alterando à medida em que você se desenvolve.
Como deu pra perceber, não é obrigatório você começar logo com um kit com 3 tontons e dois surdos, se você não tiver dinheiro pra isso. Minha opinião pessoal é que é melhor ter um kit pequeno com melhor qualidade. Palavra de quem já teve um kit enorme de má qualidade.
Uma alternativa muito interessante para o primeiro kit é o mercado de segunda mão: os usados. Instrumentos musicais desvalorizam bastante, e é possivel encontrar modelos de boa qualidade a um preço muito interessante. A dúvida que fica neste tipo de escolha é: estou fazendo uma boa compra ? Afinal, o produto não vai ter garantia.
Fora as precauções básicas em toda compra de usados (idoneidade do vendedor, possibilidade de instrumentos roubados, formas de pagamento, etc.), existem alguns cuidados que devem ser tomados ao se comprar uma bateria usada:
1. Jamais compre um instrumento usado sem inspecioná-lo pessoalmente.
2. Ao verificar o instrumento procure por:
a. Lascas na pintura ou marcas no revestimento. Pancadas fortes no casco podem provocar descolamento das folhas. Sinais de arranhamento não comprometem a estrutura dos cascos, mas já justifica pedir um desconto.
b. Pontos de oxidação nas ferragens. Cromagens defeituosas ou falta de cuidado podem levar a oxidação por debaixo da camada de cromo. Em pouco tempo, as ferragens começam a descascar. Obviamente isso não vale para ferragens em compósito, como as da RMV.
c. Condições das canoas e suas buchas. Algumas canoas de má qualidade podem se romper no parafuso de fixação do casco. Afinações inadequadas podem estourar as buchas (rosca de fixação dos parafusos de afinação das canoas).
d. Descolamento das folhas dos cascos. Olhe a borda dos cascos com atenção. Peles que não sejam transparentes devem ser removidas. Se houver descolamento, as folhas de madeira ficam levemente separadas. Se remover as peles, proveite pra apalpar o casco por dentro e verificar se não tem nenhuma folha meio mole, que também é indício de soltura.
e. Rachaduras nos pratos e condições do furos centrais. Não compre pratos rachados. Furos centrais comidos indicam falta de cuidado com o instrumento em geral. Algum grau de oxidação dos pratos existe praticamente em qualquer kit usado e não compromete a qualidade.
f. Problemas nos tom-holders. Tom holders do tipo "Rock-Lock" (baseado em esfera) são testados pressionando-se com um pouco de força o tomtom para baixo, que não deve ceder. Obviamente, não tente subir em cima do tontom. Tom holders do tipo "cotovelo" , como nas Pearl e Michael devem ser soltos e reapertados. Se estiverem em boas condições, não será necessário fazer muito esforço para fazer isso e manter os tontons estáveis.
g. É raro ocorrer, mas verifique se não há micro-rachaduras nos sistemas de suspensão dos tons, se existentes. Bons sistemas podem permitir um pouco de oscilação dos tontons ao se bater neles, ou seja, se o tontom oscilar um pouco durante o toque, isso não é necessariamente um problema.
3. Pergunte casualmente ao vendedor se o kit era usado pra fazer shows. Kits mais "rodados" podem apresentar problemas de fixação dos tom holders e das estantes de pratos devido a sucessivas montagens e desmontagens.
4. Se o kit estiver desmontado, monte-o. Se estiver montado, desmonte-o e monte-o novamente. Por uma questão de consideração com o vendedor, informe com antecedência que pretende fazer isso.
5. Se houver pedal duplo, verifique se há folga no cardã (a barra que conecta o pedal remoto ao principal): segure o rotor do pedal remoto e tente mover o batedor. Não deve haver nenhum "jogo". Faça o teste de leveza em pedais simples ou no pedal principal de um duplo.
6. Existem testes para saber se os aros estão empenados e se os cascos possuem um corte adequado, mas isso exige que o tambor seja totalmente desmontado e exige uma superficie plana padrão. Não é viável verificar isso durante a compra, mas se tiver adquirido o kit, é recomendável fazer estes testes. Se houver problemas, tanto o aro quanto o casco podem ser retificados em um luthier.
7. Tenha em mente que sempre vai ser necessário ajeitar uma ou outra coisa no kit usado. Geralmente é necessário trocar as peles, fazer uma boa lubrificação das partes móveis e talvez um polimento nas ferragens e pratos.
8. Para o mercado de usados, é recomendável procurar por marcas conceituadas, estrangeiras ou não, porque possuem um melhor controle de qualidade, o que assegura maior longevidade para seus produtos.
Eventualmente um kit bem "feinho" pode estar em excelentes condições, e ter muito pouco a ser restaurado, podendo ser um excelente negócio. Depois, é só se divertir com seu brinquedinho novo. Ou quase novo.

20 junho 2009

Um groovezinho com as novas peles

Quando postei aqui o video sobre a troca de peles, me pediram pra fazer outro, dentro do contexto de um groove, pra sentir se as novas peles se harmonizam com os pratos e tal.
Bom, fiz um groove curtinho e simples, com algumas viradas de mesmo padrão, só pra ilustrar como as peles soam dentro de um groove.
Comentários são bem vindos.