Esse é um blog com informações que podem ser úteis para o baterista que está começando a conhecer seu instrumento. Como baterista amador (e bota amador nisso...), sou um péssimo blogueiro. Minhas tentativas de manter um blog pessoal não deram em nada, mas sempre achei que deveria compartilhar alguma coisa. Desde 2005 eu frequento o Fórum Cifra Club , que me estimulou muito a pesquisar mais sobre assuntos relacionados ao meu hobby favorito: tocar bateria, especialmente em relação a equipamentos. Desde então venho postando tópicos aqui e ali e que acredito que possam ser úteis aos bateristas iniciantes. Esse blog é um tentativa de centralizar as informações que criei e obtive ao longo deste período. Fica aqui a esperança que este blog possa ser de utilidade pra alguém. Comentários (sem anonimato, plz !) e sugestões são bem-vindos.



28 setembro 2009

Review - Caixa Orange County Drums and Percussion



Minha caixa "titular" era uma Luthier de cedro bastante antiga e que me serviu bem nos últimos 20 anos. Mas de uns tempos pra cá, comecei a ter uma certa dificuldade pra acertar o som dela. Não sei se passei a ser mais exigente, mas comecei a implicar com o seu timbre. Aí resolvi desmontá-la, com a idéia de dar uma relixada no lado interno do casco, pra tentar cortar um pouco dos harmônicos. Durante o processo de desmontagem, verifiquei danos irreparáveis em várias canoas, mas o mais grave foi que, após todo esse tempo, descobri que o casco estava empenado. Talvez fosse possivel uma reforma geral, com troca das canoas e retifica do casco, mas bateu um desgosto: eu já investi bastante nessa caixa (já havia trocado praticamente todo o hardware: automático, aros, algumas canoas, esteira) e ainda não estava bom. Resolvi partir pra uma nova. Eu já estava juntando umas economias pra comprar uma 14"x5,5" no fim do ano, mas estava meio em dúvida em acumular mais uma caixa. Com a aposentadoria da velhinha, a dúvida deixou de existir e lá fui eu pra Teodoro Sampaio em busca de uma nova caixa 14 x 6,5". A idéia inicial era comprar uma caixa de segunda mão. Depois de pesquisar bastante as usadas, não achei nada que fosse significativamente melhor que a velha Luthier a um preço razoável.

Então, ao entrar na Casa dos Bateristas, fui apresentado a uma caixa OCDP 14" x 6,5" nova em folha. A ficha que o vendedor passou: 100% maple, acabamento laqueado, aros die-cast.... De fato, a caixa possui um acabamento muito bem feito. O preço ? R$1500,00, "mas dá pra conversar". Acima do que eu pretendia gastar. O golpe de misericórdia foi quando ele me passou um par de baquetas pra testar. O som era exatamente o que eu procurava. Depois de um pouco de negociação, levei a caixa por R$ 1300,00, à vista. Um preço razoável, comparado às outras caixas 100% maple da região (em outra loja, me pediram R$ 2500,00 em uma Pearl Dennis Chambers bastante usada, com hardware cromado). Por um valor aproximado ao da ODCP, só achei uma Pearl 14"x 5,5" free floating usada, e cujo som não me agradou de imediato.

Compra feita, resolvi examinar bem a mocinha, e pesquisar um pouco sobre a marca, que não é tão conhecida aqui no Brasil. A OCDP é uma fábrica "Custom" americana, que vários analistas comparam com a DW. Seu principal endorser é o cultuado e supervalorizado Travis Barker. O site mostra várias caixas produzidas pela fábrica e cita alguns preços, que eram muito superiores ao valor que paguei. Curioso achar uma caixa dessas à venda em uma pequena loja na Teodoro Sampaio. Estranho...


O acabamento da caixa é realmente muito bonito. O laqueamento é "natural fade", e os veios da madeira mudam de tonalidade de acordo com a incidência da luz:





O casco é laminado, com 9 folhas de madeira de tonalidade clara e veios que parecem ser maple mesmo. A espessura do casco é média (acho que 1/2"), sem anel de reforço. O lado inferior do casco possui um rebaixo bem discreto para a esteira:







Os aros são Die-Cast, para 10 parafusos, um pouco mais leves e finos que os Die-Cast Pearl ou Tama topo de linha, mas sem rebarbas ou defeitos de acabamento. As ferragens possuem um acabamento "Black Chrome" (fumê ou ônix, dá na mesma) muito brilhante e bem feito:




O automático é do tipo gaveta e é fixado ao casco por dois parafusos lado a lado, ao invés de um em cima e outro embaixo. Isso dá a impressão de menor resistência da fixação do tensor, que possui um mecanismo curioso: a alavanca de acionamento não possui um "click" de travamento. Ao invés, possui uma espécie de freio que segura a alavanca em qualquer ponto acima da metade. Por um lado isso pode ser interessante, pois permite ajustar a tensão das esteiras, ainda que grosseiramente, sem precisar mexer no parafuso de tensão. Por outro lado, esse mecanismo não dá muita segurança, e dá a impressão que o automático pode soltar se usarmos tensões mais altas na esteira:





Descobri que o mesmo modelo de automático é usado nos modelos DDrum. Isso é um bom sinal, espero.

Agora, a explicação para o preço:


Isso mesmo: a OCDP possui uma filial chinesa, da qual minha caixa é legitima representante. Pesquisando um pouco mais, descobri que a OCDP possui uma "segunda linha", assim como a PDP é a segunda linha da DW. A segunda linha da OCDP é conhecida como OCDP "X" e possui um logotipo diferente do da minha caixa. A linha "X" é bastante criticada nos fóruns americanos, mas tudo me pareceu uma patriotada anti-asiática. Essa das fotos não é americana e nem é "X", já que o logo é idêntico ao americano. O casco possui oito furos de ventilação. O uso de vários furos (ou uma grande janela) é uma característica típica das OCDP originais. Talvez essa caixa seja de uma nova linha que não chegou em terras do Tio Sam. Isso ainda é uma incógnita.

As peles originais são Remo UT coated. Essas peles são de uma subsidiária também chinesa da Remo. As UT usam o mesmo filme de Mylar das Ambassador, mas são fixadas de um modo menos eficiente à moldura de alumínio. Estas peles são utilizadas como peles originais de fábrica de diversos modelos fabricados na China, inclusive a Sonor 3007. Segundo a Remo, as UT e as Ambassador são absolutamente iguais em timbre quando novas, mas a UT seria menos durável.



Além do automático meio suspeito, a esteira de 20 fios me pareceu o ponto fraco do conjunto: possui um acabamento no máximo regular, com espirais um pouco grosseiras, fios mal soldados e clips de acabamento ruim. Até as esteiras Turbo parecem de alta qualidade se comparadas a essa. Mas achei interessante a deformação nos furos para passagem de fios. Isso permite o uso de fios ou cabos sem correr risco de afastar a esteira da pele, o que aumenta o zumbido. Os tirantes originais são de plástico transparente muito duro, o que exige muito cuidado e trabalho para posicionar a esteira corretamente e manter tensão uniforme nos fios.



Agora, o que interessa: o som. Usei um gravador digital Zoom H4 com os microfones embutidos e um limiter pra controlar a clipagem. Não fiz nenhum processamento do áudio. Não vou fazer comentários. Assistam o vídeo e tirem suas conclusões:




Pro groove, eu fiz algumas modificações na caixa original. Troquei os tirantes originais de plástico por tirantes de nylon canelado (descobri recentemente que o nome usado aqui no Brasil é "fita de gorgurão") e coloquei uma esteira Turbo reduzida para 14 fios. A pele original, usada nos rudimentos, foi substituída por uma Evans HD Dry. Não que a pele original seja ruim, mas pretendo conservá-la, pois contém o logo da OCDP, o que é importante em caso de revenda.
Billy Ward (desenvolvedor técnico da DW) afirma que caixas de boa qualidade são capazes de timbrar bem em afinações médias. Esta OCDP me pareceu soar até melhor em afinações médias que em altas. Acho que estou com um bom produto nas mãos.

Resumindo:

Gostei:
1. Excelente acabamento
2. Boa relação custo-beneficio
3. Som grave e encorpado
4. Bom timbre em uma grande amplitude de afinações
5. É de uma marca reconhecida por sua qualidade


Não gostei:
1. Automático pouco confiável (embora não tenha falhado até agora. O tempo dirá...)
2. Esteira e tirantes de má qualidade
3. Produto chinês, seja lá o que isso signifique
4. Eu não tenho certeza, mas pode ser uma falsificação...

Pra concluir, acho que esta caixa é talhada pra tocar rock pesado, com backbeats bem marcados e rolls bem definidos. Embora não seja uma caixa barata, trata-se de um modelo importado 100% maple com excelente acabamento. Acho dificil encontrar caixas com a mesma qualidade por essa faixa de preço. Eu não diria que se trata de uma caixa versátil, mas é uma excelente escolha pra quem quer começar a explorar modelos de alto nível e quer ficar no rock mais pesado.

22 setembro 2009

No Rules !!

Pra provar que não há regras no mundo da bateria, aqui estão dois vídeos de Eloy Casagrande. Pra quem ainda não o conhece, ele vem sendo apresentado como o novo fenômeno bateristico do rock pesado brasileiro. No primeiro vídeo dá pra ter uma idéia do esforço fisico que ele faz pra fazer sua performance, bastante influenciada por Aquiles Priester. Chama a atenção a nitidez de seus rolls pelo kit:





No segundo vídeo, ele fala um pouco de sua técnica e explica que adotou a pegada francesa. Como deu pra notar no vídeo a cima, o rapaz toca muito forte e muito bem, contrariando o que eu postei antes, no artigo sobre pegada. Confiram:



Mas eu aposto que se ele não mudar de técnica, logo vai arranjar um problema nos pulsos. Mas o rapaz é bem novo, ainda dá tempo de corrigir isso.

04 setembro 2009

Desculpe nossa falha

Eu postei há cerca de um mês atrás um pequeno video onde eu toquei um groove e umas viradas simples, com a intenção de mostrar como as peles Ambassador soavam em um kit mais antigão. Quando vi a gravação do video, tomei um susto: meu pulso direito estava quase totalmente rígido e a condução do ride estava sendo feita à base de movimentos do cotovelo, o que é considerado totalmente errado, com algumas ressalvas. Mas como a intenção do vídeo não era demonstrar técnica de condução, e sim a sonoridade das peles, deixei passar. Mas... no Youtube e no Orkut, alguns amigos repararam em minha mão direita "dura", que berrava em primeiro plano a minha falta de técnica.
Em minha defesa, tenho a dizer o seguinte: em raras ocasiões, é aceitável tocar com o pulso "duro". Existe uma técnica de condução conhecida como "Dead Sticking" (que pode ser traduzida para algo como "Manulação morta") que consiste em controlar os harmônicos do prato com a ponta da baqueta. Steve Gadd domina muito bem esta técnica e é muito interessante notar como ele consegue extrair timbres bastante diferentes de um mesmo ride, usando esse tipo de controle. Obviamente, meu caso não tem nada a ver com Dead Sticking. É erro mesmo. Por algum motivo, às vezes fico tenso e nervoso ao tocar, meu punho fica duro e dá no que deu. No entanto, graças ao video a às observações de meus amigos que o assistiram, passei a prestar mais atenção no movimento do punho direito. Acho que falta mesmo é relaxar enquanto toco. Fica a lição: é bom filmar-se ao tocar, ou tocar em frente a um espelho, para corrigir erros como esse, que passam despercebidos pelo proprio baterista.

Pra finalizar meu pedido de desculpas, fica aqui um pequeno vídeo que ensina um padrão de condução mais complexo e que exige mais técnica para tocar. Esse padrão e suas variações foram bastante usados por Neil Peart em faixas dos anos 80 e 90. A dica é a mesma de sempre: estude o padrão em andamento lento, com metrônomo, até sentir-se confortável. Depois passe para andamentos mais rápidos. Uma vez dominado o padrão, é só encaixar a caixa e o bumbo.

Divirta-se:


27 agosto 2009

Pega na baqueta !


Um erro comum dos bateristas iniciantes e autodidatas é ignorar o modo correto de se segurar as baquetas. Como o ato de segurar um objeto é bastante natural, as baquetas acabam sendo seguradas como uma haste qualquer. Ao se tocar sem a empunhadura adequada, conhecida como “pegada”, o candidato a baterista acaba realizando movimentos que consomem muita energia e pode eventualmente acabar sofrendo lesões nos punhos ou nos braços devido à sobrecarga exercida sobre os músculos e articulações. Uma pegada correta é essencial para um bom desempenho ao se tocar bateria. A principio, a adoção da pegada correta pode parecer meio antinatural, mas com o treino, passa a ser automático segurar adequadamente a baqueta.
A série de vídeos de Dave Weckl que postei aqui explica com detalhes uma forma bastante pessoal de fazer a pegada, a partir de estudos de postura, e de certa forma, mais voltada para o baterista de nível intermediário/avançado. Este artigo vai procurar explicar algumas formas mais simples de segurar suas baquetas. Tenha em mente que existem modos corretos e incorretos de segurar as baquetas. Ao estudar, fique atento para não segurar as baquetas de modo incorreto. Entre os modos corretos, não existe um modo que seja melhor que outro. Cada pegada possui características próprias, e cada baterista deve escolher sua pegada favorita para estudar e tocar. Com o tempo, é aconselhável estudar com as pegadas menos confortáveis.
Com o tempo, o baterista aprende a transitar entre as diferentes pegadas, de modo a aproveitar seus respectivos pontos fortes conforme a música pede. As pegadas mais comuns são a francesa (French Grip), alemã (German Grip), americana (American Grip) e tradicional (Traditional Grip, ou “trad” para os íntimos). As pegadas francesa, alemã e americana se baseiam no conceito “pinça e mola”: a baqueta é presa em uma pinça feita entre a polpa do polegar e a lateral da falange média do dedo indicador. A “mola” é executada com a flexão dos dedos médio, anular e mínimo.







French Grip (FG):
A pegada francesa é executada com a palma da mão em um plano perpendicular ao da pele do tambor. Com as duas mãos em FG, as palmas ficam voltadas uma para outra. A FG foi desenvolvida para execução de toques rápidos e leves, preferencialmente em caixas sinfônicas, pois oferece grande controle de dinâmica. Por outro lado, é uma pegada que não permite execução com muita potência. Na FG o movimento é praticamente limitado aos dedos:


Um erro muito comum é usar a FG para executar toques de muita potência com um grande movimento do punho:

O movimento do vídeo acima pode levar a lesões articulares do punho e há risco até de ruptura de um dos nervos da mão.


German Grip (GG):
A pegada alemã é executada com a palma da mão paralela à pele. O movimento é executado mais no punho e antebraço e exige maior esforço muscular que a FG. A GG permite toques de grande potência e é indicada para, por exemplo, os toques de caixa num backbeat de rock no 2-e-4. A execução de rimshot também é bem facilitada quando se adota a GG. O mecanismo de pinça-e-mola funciona de modo menos eficaz na GG, o que pode atrapalhar a execução de rolls mais sutis.


American Grip (AG):
A pegada americana é derivada da GG, de modo a aproveitar melhor o mecanismo de pinça-e-mola. Na AG, o plano da palma da mão faz um ângulo de aproximadamente 45° com a pele do tambor, mas o trajeto da baqueta permanece perpendicular. Fisiologicamente, o maior arco de movimento do punho se faz exatamente neste posicionamento, e o mecanismo de pinça-e-mola é melhor aproveitado porque o movimento da baqueta na pinça passa a seguir o mesmo plano de movimento do punho.


Traditional Grip (TG):
A pegada tradicional foi desenvolvida para se tocar os tambores marciais que eram levados a tiracolo e tocados em pé. A posição dos tambores era inclinada para a direita e isso tornou necessário que a pesada baqueta na mão esquerda fosse segurada ao contrário, com a palma da mão voltada para cima. Com o tempo, essa pegada invertida foi sendo aprimorada até chegar à TG como a conhecemos hoje:


Embora a TG não exija um posicionamento especial da caixa, normalmente quem a adota prefere usar a caixa com o lado esquerdo 1 a 2 cm mais alto que o direito, para facilitar a execução de rimshots. A TG normalmente é utilizada somente na mão esquerda (para os destros), embora sujeitos como Billy Cobham terem chegado a adotá-la nas duas mãos. A TG é considerada uma pegada difícil e cheia de macetes, exatamente por ser relativamente antinatural, mas uma vez dominada, é provavelmente a mais versátil de todas, que permite ter desde a potência da GG até a sutileza e precisão da FG. Uma limitação da TG é em relação ao alcance de peças posicionadas à esquerda do kit (para destros), que exige uma torção acentuada do tronco para que a ponta da baqueta atinja corretamente a peça.
Cada uma destas pegadas pode ser combinada com outra. Por exemplo, pode-se usar AG na mão de condução enquanto se toca os hi-hats e usar a GG na mão oposta. Quando a mão de condução passa para o ride, pode-se passar para a FG ou para AG. Quanto melhor você dominar cada técnica, mais opções terá para explorar seu kit. No entanto, não deixe que a adoção de uma das técnicas impeça seu desenvolvimento. Por exemplo, se você tiver dificuldade em praticar um determinado rudimento com uma das pegadas, adote uma que facilite o estudo. Quando tiver dominado, estude com outra pegada, e assim por diante.
Divirta-se !

18 agosto 2009

Microfonação MUITO barata

Gosto bastante de ver bateristas amadores tocando no Youtube. Ver pessoas que gostam de tocar bateria e o fazem por hobby me dá uma boa noção de "posicionamento no ranking". Ou seja, é reconfortante saber que tem tanta gente tocando tão mau quanto eu.
Por outro lado, vez por outra me deparo com performances bem acima da média, mas que não dá pra apreciar direito porque a qualidade do áudio é tão ruim que dá vontade de parar o vídeo no meio, o que é uma pena.
Por exemplo, vejam esse:


Há uns dois anos criei um tópico no Fórum Cifra Club convidando os bateristas de lá a postarem um pouco de suas brincadeiras com o instrumento. Era uma época em que o U2B esta engatinhando e hospedagem de áudio não era algo prático. De todo modo, as desculpas que mais ouvi era que as pessoas não possuíam equipamento para gravação. Tinham PC, mas não tinham microfones de qualidade. O resultado foi que o tópico foi abandonado, sumiu nas profundezas do fórum e fiquei muito encanado com isso: seria mesmo necessário um estúdio de gravação com seus equipamentos para se gravar com um mínimo de qualidade ?
Recentemente resolvi aprender a microfonar meu kit do melhor modo possível (com um kit de microfones, mesa de som, processadores off-board, etc.), e ainda tou apanhando bastante, mas no meio de minhas pesquisas, me deparei com alguns vídeos explicando como se gravar um som razoável de bateria com um mínimo de microfonação. O primeiro vídeo usava um caríssimo microfone AKG C2000B. O segundo usava um microfone chinês barato projetado para bateria comprado no Ebay, mas nenhuma dessas soluções achei realmente prática.




Quando comecei a tocar, uma das maiores dificuldades era arranjar um microfone pro vocalista. Os microfones da época eram ou muito caros pros nossos bolsos escolares, ou geravam muita microfonia. E aí um champz descobriu que os fones de ouvido também serviam como microfone. Por possuírem diafragmas largos e circuitos sem interesse no ganho de sinal, os fones de ouvido quase não davam microfonia, embora resultassem em uma qualidade muito ruim de áudio. Mas melhor isso que tentar encobrir bateria e guitarra a seco.
Aí, juntando esses cacos de informação me veio a idéia: será que dá pra usar fones de ouvido pra obter um áudio razoável ? Essa seria uma solução de custo muito baixo, e a tecnologia disponível hoje em dia permitiria ao menos tentar melhorar as limitações desse tipo de técnica. Aí fiz a experiência: o "microfone" usado foi um velho fone de ouvido Phillips que possuía um cabo de 5 m, o que permitiu posicioná-lo e plugá-lo no notebook ao meu lado. Como a entrada de mic do notebook é estéreo, os fones foram posicionados em uma espécie de configuração "XY" para obter um mínimo de imagem. Usei uma antiga versão demo do Sonar pra gravar e processar o áudio. Confiram o resultado:


Espero que seja útil.